Jornal Vascular Brasileiro
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Análise retrospectiva sobre a prevalência de amputações bilaterais de membros inferiores

Retrospective analysis of the prevalence of bilateral amputations in lower limbs

Cézar Ferreira Leite ; Airton Delduque Frankini ; Eduardo B. DeDavid ; João Haffner

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Resumo

Objetivo: Identificar a prevalência de amputações bilaterais de membros
inferiores em um Serviço de referência no estado do Rio Grande do
Sul, bem como identificar suas principais características.
Pacientes e Método: Retrospectivamente, foram revisados 288 prontuários
do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (SAME) do Hospital
Nossa Senhora da Conceição, entre janeiro de 2000 e abril de 2001, referentes
às amputações maiores das extremidades inferiores realizadas pelo
Serviço de Cirurgia Vascular. Duzentos e oitenta e oito pacientes amputados
foram divididos em dois grupos: 225 (78,1%) com amputação unilateral
(grupo I) e 63 (21,9%) com amputação bilateral (grupo II), das
quais 24 foram realizadas no mesmo período do estudo, totalizando 312
amputações maiores. Revisamos dados quanto à idade, sexo, doenças associadas,
apresentação clínica (dor de repouso, lesão trófica ou complicações
do pé diabético), tipo e nível de amputação e taxa de mortalidade. A
análise estatística foi realizada pelo teste do qui-quadrado (c2) e o valor
de P < 0,05 foi considerado significante.
Resultados: Das 312 amputações, 238 (76,3%) foram realizadas acima
do joelho e 74 (23,7%) abaixo do joelho, com razão abaixo do joelho/
acima do joelho de 0,31. Não houve diferença estatística entre os
grupos I e II em relação à idade, presença de doenças associadas, tipo de
amputação e mortalidade. A lesão trófica foi a queixa mais freqüente em
ambos os grupos (68,4%). A taxa de amputação primária geral foi de
72,9% e a presença de pé diabético mostrou ser mais comum no grupo I
(17,3%) do que no grupo II (1,6%; P < 0,05). Entre as causas de amputação
no grupo II tivemos 62 pacientes (98,4%) com isquemia crítica e
apenas um com pé diabético. No grupo II, tivemos 49 amputações (77,8%)
de coxa bilateral; sete (11,1%) coxa-perna e sete (11,1% ) perna bilateral,
sendo que os não-diabéticos apresentaram maior índice de amputação
em coxa bilateral (96,4%; P < 0,05). As taxas de mortalidade e de amputação
primária, nas amputações bilaterais com intervalo inferior a 30 dias,
foram iguais a 50% e 100%, respectivamente (P < 0,05).
Conclusões: A prevalência de biamputados foi igual a 20,2% em
nosso serviço. A taxa de mortalidade foi igual a 50%, quando ambas
amputações foram realizadas em um período inferior a 30 dias, e acreditamos
ser este um importante fator prognóstico na evolução do paciente
com amputação bilateral.

Palavras-chave

amputação, aterosclerose, diabetes melito, complicações pós-operatórias.

Abstract

Objective: To identify the prevalence of bilateral amputations in lower
limbs in a service of Vascular Surgery, as well as to identify their main
features associated.
Patients and Method: Retrospectively, records of 288 patients who
underwent major amputations in lower limbs performed by the Vascular
Surgery Service at the Hospital Nossa Senhora da Conceição, from January/
2000 to April/2001, were reviewed. Two hundred and eighty eight
amputees were divided into two groups: 225 (78.1%) with unilateral
amputation (group I) and 63 (21.9%) with bilateral amputation (group
II). Of these, 24 were performed at the same period of our study, making
an overall figure of 312 major amputations. Data detailed by age, sex,
associated diseases, clinical complaints (rest pain, trophic lesions or
complications from diabetic foot), type and level of amputation and rate
of mortality were collected. The chi-square (c2) test was used for the
statistical analysis, and significant P value was considered to be < 0.05.
Results: Among the 312 amputations, 238 (76.3%) were above-knee
and 74 (23.7%) were below-knee, with below-knee/above-knee ratio of
0.31. There was no statistical difference between the groups I and II with
relation to age, associated diseases, type of amputation and mortality.
Trophic lesion was the most common complaint in both groups (68.4%).
The rate of global primary amputation was 72.9% and the presence of
diabetic foot was more common in group I (17.3%) than in group II
(1.6%) (P < 0.05). Among the causes of amputation in group II, we had
62 patients (98.4%) with critical ischemia and just one with diabetic
foot. In group II, we had 49 amputations (77.8%) of bilateral thigh;
seven (11.1%) thigh-leg and seven (11.1%) bilateral leg. The non-diabetic
patients showed a higher rate of bilateral thigh amputation (96.4%;
P < 0.05). The rates of mortality and primary amputation, in the bilateral
amputations within an interval of 30 days, were 50% and 100%,
respectively (P < 0.05).
Conclusions: The prevalence of biamputees was 20.2% in our service.
The rate of mortality was 50%, when both amputations were performed
within 30 days. We believe this is an important prognostic factor in the
evolution of patients with bilateral amputation.

Keywords

amputation, arteriosclerosis, diabetes mellitus, postoperative complications.
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