Jornal Vascular Brasileiro
https://www.jvascbras.org/article/doi/10.1590/1677-5449.200192
Jornal Vascular Brasileiro
Editorial

Os 30 anos da grande revolução vascular: o nascimento de uma nova era

Thirty years since the great vascular revolution: the birth of a new era

Tulio Pinho Navarro; Ricardo Jayme Procópio

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O estudo foi realizado no Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil.

No final do mês de agosto de 1990, o Dr. Juan Carlos Parodi recebeu um telefonema do presidente da República Argentina, Sr. Carlos Menen. O presidente solicitou que o médico avaliasse o seu primo tabagista, de 70 anos de idade, com doença pulmonar obstrutiva crônica acentuada, que apresentava um aneurisma de aorta abdominal com 6 cm de diâmetro e estava cursando com dor lombar significativa recente. O risco de ruptura era iminente. Os médicos que o assistiam disseram que não suportaria a cirurgia, uma vez que apresentava doença pulmonar grave1.

Dr. Parodi havia feito seu treinamento especializado na renomada Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, em meados da década de 1970. Quando retornou à Argentina, Dr. Parodi iniciou pesquisas sobre uma ideia que surgiu durante a sua estadia no exterior, justamente para tratar pacientes de alto risco, os quais apresentavam mortalidade elevada, mesmo no então maior centro de cirurgia mundial. Passou a realizar estudos experimentais em cães desde 1976, criando aneurismas em aortas caninas com prótese de poliéster (Dacron) em formato de aneurisma1.

Em paralelo, Julio Palmaz, outro cirurgião argentino, após se formar na cidade de La Plata e realizar treinamento em Radiologia Vascular foi para os Estados Unidos em 1977 e posteriormente se tornou Chefe de Angiografia e Procedimentos Especiais no departamento de Radiologia do Centro de Saúde e Ciência da Universidade do Texas em San Antonio (UTHSCSA) em 1983. Após assistir a uma palestra de Andreas Grutzing (inventor do balão de angioplastia, baseado no cateter balão de Thomas Fogarty) em 1978, teve a ideia de colocar um molde de metal no balão e criou o stent. Julio Palmaz recebeu a patente em 1985, cuja comercialização foi feita pela Johnson & Johnson.

Parodi teve a ideia de unir o stent de Julio Palmaz ao enxerto vascular convencional de poliéster por meio de uma sutura do stent na extremidade superior. Esse conjunto era colocado em um introdutor de Teflon de 22F1.

Carlos Menen, conhecedor do trabalho de Parodi, solicitou a opinião do médico quanto ao caso descrito anteriormente. Parodi explicou ao presidente e ao paciente que até então a sua técnica alternativa havia sido realizada somente em cães, nunca em um ser humano. Diante das possibilidades, paciente e presidente concordaram com a tentativa e assinou-se o termo de consentimento.

No dia 6 de setembro de 1990, em uma quinta-feira pela manhã, no Instituto Cardiovascular de Buenos Aires, o Dr. Parodi realizou o procedimento sob anestesia epidural, com apenas uma incisão na virilha direita, para acessar a artéria femoral comum, juntamente com seus colegas Julio Palmaz e Hector Barone1. O procedimento foi um sucesso, com exclusão completa do aneurisma. Realizou-se ainda uma angiografia no paciente com 53 dias de pós-operatório, tendo demonstrado a manutenção da exclusão completa do aneurisma. O paciente sobreviveu por mais 9 anos, vindo a falecer de câncer pancreático1.

Nesse mesmo dia, 6 de setembro de 1990, realizou um segundo caso em uma mulher de 68 anos. Entretanto, houve uma falha em identificar a marca proximal do stent e inadvertidamente a endoprótese foi liberada 3 cm abaixo do planejado e a prótese de poliéster entrou totalmente na artéria ilíaca direita, com oclusão da ilíaca esquerda. Foi necessário realizar uma laparotomia e proceder a cirurgia convencional. Constatou-se, durante a abertura da aorta, que o stent estava bem apropinquado à parede do vaso. Por fim, a paciente tolerou bem o procedimento e recebeu alta hospitalar após alguns dias1.

No dia 11 de novembro de 1990, um paciente de 63 anos, após apresentar um acidente vascular encefálico há alguns dias, evoluiu com dor abdominal intensa, tendo sido diagnosticada uma dissecção aguda de aorta abdominal com formação aneurismática. Nesse dia, o paciente foi submetido ao implante da endoprótese com selamento proximal infrarrenal do sítio de entrada, sem utilização de stent distal. A dor cedeu no pós-operatório. No acompanhamento após 7 meses, evidenciou-se redução do diâmetro do aneurisma e oclusão da falsa luz1.

No dia 3 de janeiro de 1991, outro paciente de 61 anos com aneurisma de 6,5 cm de diâmetro, porém assintomático, voluntariou-se para submeter-se ao tratamento, que foi realizado nessa data com sucesso. O acompanhamento após 6 meses demonstrou a exclusão completa do aneurisma1.

Já em 26 de maio de 1991, um paciente de 62 anos que havia apresentado isquemia arterial aguda por embolização de trombos de um aneurisma abdominal de 3,5 cm foi também submetido com sucesso à exclusão do aneurisma. Após 3 meses de seguimento, o eco-Doppler abdominal mostrou exclusão completa do aneurisma, sem novos episódios de embolização1.

Parodi tinha certeza de que uma revolução havia começado. Confiante, juntou seus dados e apresentou em um congresso nos Estados Unidos no mesmo ano de 1991, onde encontrou vários de seus antigos colegas. Entretanto, a reação a essa novidade não foi a antecipada por ele. O Vascular Establishment reagiu muito negativamente, tendo questionado a ele por que querer alterar um tratamento tão bem estabelecido desde os tempos de Dubost e aperfeiçoado por Michael DeBakey, entre outros. Mal o ouviram. Todas as grandes revistas médicas se recusaram a receber seu trabalho.

Durante a tentativa de expor suas novas ideias, um participante o observava atentamente. Ele se aproximou do Dr. Parodi e disse-lhe que gostaria de conhecer melhor seu trabalho. Tratava-se do Dr. John J. Bergan, falecido em 2014, pioneiro do transplante renal e um dos responsáveis pela criação da especialidade de Cirurgia Vascular. Dr. Bergan entendeu o novo conceito e que a proposta de Parodi poderia ajudar pacientes graves, com alto risco operatório. Como os editores das maiores revistas se recusaram a publicar o trabalho de Parodi, Dr. Bergan contatou um parente, Dr. Ramon Buerger, Editor-Chefe da revista Annals of Vascular Surgery, revista de menor fator de impacto.

Em novembro de 1991, foi publicado o artigo Transfemoral intraluminal graft implantation for abdominal aortic aneurysms, de autoria de Juan Parodi, Julio Palmaz e Hector Barone, na revista Annals of Vascular Surgery1. Essa publicação representa um marco na cirurgia vascular. A consequência foi análoga à de uma bomba de efeito silencioso e retardado. O mundo vascular ficou estremecido, porém o Vascular Establishment prosseguia contra.

Em agosto de 1992, um homem de 76 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica dependente de oxigênio, doença arterial coronariana e taquiarritmia ventricular recorrente apresentou-se com aneurisma de aorta infrarrenal de 7,5 cm de diâmetro, doloroso e sensível a palpação no Hospital Montefiore, Bronx, em Nova York2. O Dr. Michael Marin foi solicitado a atender o paciente e concordou com todos os consultores médicos quanto ao risco muito alto para qualquer forma de reparo cirúrgico aberto padrão. O Dr. Marin, então, ligou para o Dr. Frank Veith para discutir a possibilidade de um reparo com enxerto endovascular, que foi prontamente aceita como única opção. Ficou combinado que ambos os cirurgiões viajariam a Buenos Aires para aprender a técnica com Dr. Parodi. Entretanto, Dr. Parodi disse que naquele momento não havia casos agendados. Por outro lado, ele faria uma palestra em um encontro de cardiologistas intervencionistas em Milwaukee, nos Estados Unidos. Ele sugeriu que os Drs. Veith e Marin o encontrassem para discutir sobre o paciente e como o tratamento com enxerto endovascular poderia ser realizado. O Dr. Marin encontrou-se com Dr. Parodi em Milwaukee com os exames do paciente e concordaram que era um bom candidato para o reparo endovascular. Ficou acertado que seria melhor tratar o paciente em Nova York e que isso poderia ser realizado na época da reunião anual do Montefiore, a ser realizada em novembro de 19922.

No entanto, vários problemas tiveram que ser superados. O primeiro era que a Johnson & Johnson, que havia adquirido os direitos das patentes de Parodi e Palmaz, teria que aprovar o uso de um grande stent Palmaz nos Estados Unidos, uma vez que esse dispositivo investigacional não possuía liberação da Food and Drug Administration (FDA). O Dr. Veith, então, ligou para Paul Marshall, diretor de novos produtos da Johnson & Johnson Interventional Systems (J & JIS) para obter permissão. Este disse que tinha restrições em permitir que os Drs. Parodi, Veith e Marin usassem o stent, temendo que isso pudesse prejudicar a avaliação da FDA dos stents coronários Palmaz-Schatz que estavam em processo final de aprovação2.

Veith, então, solicitou uma reunião com Marvin Woodall, presidente da J & JIS, para verificar se ele poderia ser persuadido a permitir o procedimento baseado em considerações compassivas. Uma reunião entre Marshall, Woodall, Veith e Marin ocorreu em um restaurante no Marriott Hotel adjacente ao aeroporto de Newark. Após uma conversa de 4 horas e demonstrações de preocupações com o bem-estar do paciente se não fosse tratado, os funcionários da J & JIS cederam e permitiram2.

Quando se fala em hospitais nos Estados Unidos, pensa-se em instalações modernas, com diversos equipamentos disponíveis. Entretanto, o Montefiore, embora vinculado ao Albert Einstein College of Medicine, se localiza no Bronx, uma região pobre de Nova York. Dessa forma, as instalações desse hospital à época não eram das mais modernas e bem-equipadas. Houve dúvida por parte da equipe argentina quanto à viabilidade do procedimento naquelas condições.

No entanto, o procedimento foi realizado sob anestesia local em 23 de novembro de 1992. Os Drs. Juan Parodi e Carlos Schonholz, junto com os Drs. Marin, Veith e Cynamon, realizaram o procedimento por meio de uma arteriotomia femoral direita2. Usando um antigo equipamento de fluoroscopia digital, o enxerto foi posicionado e liberado na aorta2.

A recuperação foi favoravelmente diferente da de uma cirurgia convencional2. A tomografia computadorizada pós-procedimento e ultrassonografia dúplex atestaram a exclusão do aneurisma. O paciente teve alta alguns dias depois e permaneceu livre de sintomas até sucumbir às comorbidades cardiopulmonares, aproximadamente nove meses após o procedimento2.

O Dr. Jonh J. Bergan escreveu muitos anos antes dessa técnica sobrepujar a cirurgia convencional: “Em cirurgia vascular, não ocorreu nenhuma mudança para melhor sem a qual homens sábios e bons não se opuseram. Essa mudança é inevitável”2. Após a realização desse procedimento nos Estados Unidos, a técnica se difundiu. O Dr. Parodi e sua equipe foram convidados a viajar o mundo inteiro para ensinar e demonstrar essa enorme mudança de paradigma no universo vascular. O reticente Vascular Establishment cedeu. Uma nova era foi inaugurada. O universo vascular nunca mais foi o mesmo.

Abstract

At the end of August, in 1990, Dr. Juan Carlos Parodi answered a telephone call from the president of the Republic of Argentina, Carlos Menen. The president asked him to assess his 70-year-old cousin, a smoker with severe chronic obstructive pulmonary disease, who had an abdominal aortic aneurysm with a diameter of 6 cm and had recently been suffering from severe lumbar pain. There was an imminent risk of rupture. The assisting doctors had said that he would not survive surgery, due to his severe lung disease.1

Dr. Parodi had been trained in his specialty at the famous Cleveland Clinic, in the United States, in the mid-1970s. When he returned to Argentina, Dr. Parodi started to research an idea he had had when abroad, specifically aimed at treating high-risk patients who had elevated mortality, even at what was then the largest surgical center in the world. He started to conduct experimental studies on dogs in 1976, constructing aneurysms in canine aortas with aneurysm-shaped polyester grafts (Dacron).1

In parallel, another Argentinean surgeon, Dr. Julio Palmaz, had studied medicine in La Plata and then trained in Vascular Radiology, moving to the United States in 1977 and becoming Head of Angiography and Special Procedures at the Radiology Department of the University of Texas Health Science Center at San Antonio (UTHSCSA) in 1983. After attending a lecture by Andreas Grutzing (inventor of the angioplasty balloon, based on the balloon catheter created by Thomas Fogarty) in 1978, Palmaz had the idea of fitting a metal mold to the balloon, inventing the stent. Julio Palmaz registered the patent in 1985, and the devices were marketed by Johnson & Johnson.

Parodi had the idea of combining the stent created by Julio Palmaz with a conventional polyester vascular graft using a suture at the upper extremity of the stent. This combined device was placed in a 22F Teflon introducer.1

Carlos Menen, aware of Parodi’s work, asked him for his opinion on the case of his cousin, described above. Parodi explained to the president and the patient that his alternative technique had only ever been used in dogs, never in a human being. After considering the possibilities, the patient and the president agreed to the attempt and a consent form was signed.

On the morning of Thursday, September 6, 1990, at the Instituto Cardiovascular of Buenos Aires, Dr. Parodi, with his colleagues Julio Palmaz and Hector Barone, performed the procedure under epidural anesthesia, making just a single incision in the right groin to access the common femoral artery.1 The procedure was a success, with total exclusion of the aneurysm. The patient underwent angiography at 53rd postoperative day, which demonstrated maintenance of total aneurysm exclusion. The patient survived for another 9 years, before dying due to pancreatic cancer.1

On the same day, September 6, 1990, they operated on a second case, a 68-year-old woman. However, they failed to identify the proximal marking on the stent and the endoprosthesis was inadvertently released 3 cm below the planned position and the polyester graft completely entered the right iliac artery, occluding the left iliac artery. It was necessary to perform a laparotomy and convert to conventional surgery. When the aorta was opened, the team found that the stent was right against the wall of the vessel. In the end, the patient tolerated the procedure well and was discharged from hospital a few days later.1

On November 11, 1990, a 63-year-old patient who had had a stroke a few days earlier began to complain of intense abdominal pains and was diagnosed with an acute dissection of the abdominal aorta with formation of an aneurysm. The same day, the patient underwent endoprosthesis implantation, with proximal infrarenal sealing of the entry site, without deployment of a distal stent. The pain receded during the postoperative period. At 7-month follow-up, the diameter of the aneurysm had reduced and the false lumen was occluded.1

On January 3, 1991, another 61-year-old patient, with an aneurysm with a 6.5 cm diameter, although asymptomatic, volunteered to undergo the treatment, which was performed successfully the same day. Follow-up at 6 months showed total exclusion of the aneurysm.1

On May 26, 1991, a 62-year-old patient who had presented with acute arterial ischemia due to embolization by thrombi of a 3.5 cm abdominal aneurysm also underwent successful exclusion of the aneurysm. After 3 months’ follow-up, abdominal duplex ultrasonography showed total exclusion of the aneurysm, with no further episodes of embolization.1

Confident, he compiled his data and presented his findings to a congress in the United States, in 1991, where he met several of his former colleagues. However, the reaction to the innovation what not as he had expected. The Vascular Establishment reacted very negatively, asking him why he wanted to change a treatment that had become so well-established since the time of Dubost, and later improved by Michael DeBakey, among others. They barely listened to him. All of the major medical journals refused to accept his paper.

While he was attempting to present his new ideas, one participant was observing him closely. He approached Dr. Parodi and said he would like to learn more about his work. This was Dr. John J. Bergan, who died in 2014, a pioneer of kidney transplantation and one of the of those responsible for creating the specialty of Vascular Surgery. Dr. Bergan understood the new concept and saw that Parodi’s proposal could help critical patients, at high risk from surgery. Since the editors of the major journals had refused to publish Parodi’s study, Dr. Bergan contacted a relative, Dr. Ramon Buerger, Editor in Chief of the Annals of Vascular Surgery, a journal with a lower impact factor.

ascular Surgery, a journal with a lower impact factor. In November 1991, “Transfemoral intraluminal graft implantation for abdominal aortic aneurysms”, by Juan Parodi, Julio Palmaz, and Hector Barone, was published in the Annals of Vascular Surgery.1 Publication of this article is a landmark in vascular surgery. The consequence was like a silent bomb, with delayed effects. The vascular world was shocked, but the Vascular Establishment remained opposed.

In August of 1992, a 76-year-old man with oxygendependent chronic obstructive pulmonary disease, coronary artery disease, and recurrent ventricular tachyarrhythmia presented at the Montefiore Hospital, in The Bronx, New York with an aneurysm of the infrarenal aorta measuring 7.5 cm in diameter and painful and sensitive to palpation.2 Dr. Michael Marin was called to assess the patient and agreed with all of the medical consultants that the risk of any type of standard open surgery was too high. Dr. Marin then called Dr. Frank Veith to discuss the possibility of a repair using an endovascular graft, which was promptly accepted as the only option. It was agreed that both surgeons would travel to Buenos Aires to learn the technique from Dr. Parodi. However, Dr. Parodi said that he didn’t have any cases scheduled at the time. On the other hand, he was going to deliver a lecture to a meeting of interventional cardiologists in Milwaukee, in the United States. He suggested that Drs. Veith and Marin meet with him to discuss the patient and how the treatment with an endovascular graft could be accomplished. Dr. Marin met Dr. Parodi in Milwaukee with the patient’s test results and they agreed that he was a good candidate for endovascular repair. It was agreed that it would be better to treat the patient in New York and that this could be done at the same time as the Montefiore annual meeting, to be held in November 1992.2

However, there were several problems to overcome. The first was that Johnson & Johnson, which had acquired the rights to Parodi’s and Palmaz’s patents, needed to approve use of a large Palmaz stent in the United States, since this investigational device had not been approved by the Food and Drug Administration (FDA). Dr. Veith then called Paul Marshall, product director at Johnson & Johnson Interventional Systems (J & JIS) to obtain permission. He was reticent to allow Drs. Parodi, Veith, and Marin to use the stent, fearing that this could compromise the FDA’s assessment of the Palmaz-Schatz coronary stents that were in the final phase of approval.2

Veith then requested a meeting with Marvin Woodall, president of J & JIS, to see whether he could be persuaded to allow the procedure on compassionate grounds. Marshall, Woodall, Veith, and Marin met at a restaurant in the Marriott Hotel next to Newark airport. After a 4-hour conversation and expressions of concern for the wellbeing of the patient if he was not treated, the representatives of J & JIS ceded and gave their permission.2

When the subject is hospitals in the United States, one thinks of modern installations with a wide range of equipment available. However, although the Montefiore is affiliated to the Albert Einstein College of Medicine, it is located in The Bronx, which is a poor region of New York. The hospital’s installations at the time were not therefore the most modern or best equipped. The Argentinean team were not sure that the procedure would be feasible under those conditions.

Nevertheless, the procedure was performed under local anesthesia on November 23, 1992. Drs. Juan Parodi and Carlos Schonholz, together with Drs. Marin, Veith, and Cynamon, conducted the procedure via a right femoral arteriotomy.2 Using an old digital fluoroscopy machine, the graft was positioned and released in the aorta.2

The patient’s recovery contrasted favorably with conventional surgery.2 Postoperative computed tomography and duplex ultrasonography showed that the aneurysm had been excluded. The patient was discharged a few days later and remained free from symptoms until he succumbed to cardiopulmonary comorbidities, approximately 9 months after the procedure.2

Many years before this technique surpassed conventional surgery, Dr. John J. Bergan wrote: “In vascular surgery, no change for the better has occurred that wise and good men have not opposed. Such change is inevitable.”2 After this procedure was performed in the United States, the technique spread throughout the world. Dr. Parodi and his team were invited to travel around the whole world to teach and demonstrate this enormous paradigm shift in the vascular universe. The reticent Vascular Establishment gave way. A new era was inaugurated and the vascular universe was never the same again.

References

1 Parodi JC, Palmaz JC, Barone HD. Transfemoral intraluminal graft implantation for abdominal aortic aneurysms. Ann Vasc Surg. 1991;5(6):491-9. http://dx.doi.org/10.1007/BF02015271. PMid:1837729.

2 Veith FJ, Marin ML, Cynamon J, Schonholz C, Parodi J. 1992: Parodi, Montefiore, and the first abdominal aortic aneurysm stent graft in the United States. Ann Vasc Surg. 2005;19(5):749-51. http://dx.doi.org/10.1007/s10016-005-6858-9. PMid:16052384.
 


Submitted date:
03/01/2021

Accepted date:
03/20/2021

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