Jornal Vascular Brasileiro
https://www.jvascbras.org/article/doi/10.1590/S1677-54492008000100017
Jornal Vascular Brasileiro
Thesis Summary

Resultados tardios da experiência clínica com a fístula arteriovenosa safeno-femoral superficial como acesso à hemodiálise  

Clinical experience with superficial saphenofemoral arteriovenous fistulas as access for hemodialysis: late results

João Antonio Corrêa

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Resumo

OBJETIVOS: Analisar o resultado tardio da experiência clínica com fístulas arteriovenosas safenofemorais superficiais (FAVSFS) como meio de acesso à hemodiálise e suas complicações.
MÉTODOS: No período de agosto de 1998 a maio de 2006, 56 fístulas foram realizadas em 48 pacientes no Hospital de Ensino da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), sendo que, em oito pacientes, duas fístulas tiveram que ser realizadas. Os pacientes são provenientes do Serviço de Nefrologia e do Centro de Nefrologia e Hipertensão (CNH) do Hospital de Ensino da FMABC. A fístula mais antiga tinha 93 meses de confecção, e a mais recente, 2 meses. A média de idade foi de 44,4 anos. Os procedimentos foram efetuados em pacientes sem opção de acesso em membros superiores. A técnica utilizada foi a anteriorização e superficialização da veia safena magna, na face anterior da coxa, anastomosando-a na artéria femoral superficial distal. As FAVSFS foram avaliadas segundo as seguintes variáveis: resultados imediato, precoce e tardio, complicações intra-operatórias, complicações pós-operatórias (até o 30º dia), eficácia das fístulas após o início das punções (facilidade de punção, fluxo de hemodiálise, pressão venosa espontânea e adequação de diálise segundo K.T/V) e complicações inerentes à sua utilização (trombose, hematoma pós-punção, isquemia distal do membro, descompensação cardíaca, pseudo-aneurisma de punção, pseudo-aneurisma anastomótico, dilatação aneurismática e infecção). Os métodos de análise utilizados foram o de perviedade cumulativa, pelo método de Kaplan-Meier, e o de porcentagem simples para os outros resultados.
RESULTADOS: Todas as fístulas puderam ser concluídas com sucesso, porém cinco foram excluídas do acompanhamento tardio por não terem sido utilizadas (desvio da pesquisa). Cinqüenta e uma fístulas foram utilizadas em 45 pacientes; seis pacientes tiveram duas fístulas confeccionadas. A fístula mais antiga em funcionamento tinha 59 meses, e a mais recente, 3 meses. Até maio de 2006, as 51 fístulas apresentaram as seguintes evoluções: pérvias, oito (15,7%); transplantadas, 10 (19,8%); óbitos, 12 (23,5%); hipofluxo, uma (1,96%); e trombose, 20 (39,2%). Como complicação precoce, houve um caso de grave hipotensão no período intra-operatório, ocasionando trombose da anastomose, seguida de correção com cateter de Fogarty, e quatro casos de reexploração no 1º dia pós-operatório devido à trombose da veia (dois por hematoma no trajeto da fístula, outro por acotovelamento da veia e o último por rotação de 180º da safena); todas foram corrigidas com trombectomia da veia, e a anastomose foi refeita, mantendo-se a perviedade secundária. Foram corrigidos três pseudo-aneurismas de punção e duas estenoses por hiperplasia miointimal com angioplastia sem stent, mantendo-se a perviedade primária assistida. Houve apenas um óbito decorrente de complicação da fístula, que se deu por rotura do pseudo-aneurisma de punção em uma fístula com 40 meses de funcionamento. Na análise da perviedade cumulativa pelo método de Kaplan-Meier, após 59 meses de seguimento, obteve-se um resultado de 44,04% de perviedade provável, com desvio padrão de 5,49%.
CONCLUSÕES: As FAVSFS demonstraram ser uma boa alternativa para pacientes que não possuem outras possibilidades de acesso em membros superiores, permitindo tratamento dialítico eficaz, com boa taxa de perviedade e baixa taxa de complicações, com exceção das tromboses.

Palavras-chave

Fístula arteriovenosa, hemodiálise, acessos vasculares, veia safena, artéria femoral.

Abstract

OBJECTIVES: To analyze late results of clinical experience with superficial saphenofemoral arteriovenous fistulas (SSFAVF) as access for hemodialysis and their related complications.
METHODS: From August 1998 through May 2006, 56 fistulas were performed in 48 patients at Hospital de Ensino da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). On eight of them, two fistulas were required. The patients were referred from the Nephrology Service and from the Center of Nephrology and Hypertension (CNH) of Hospital de Ensino da FMABC. The oldest fistula had been carried out 93 months ago, and the most recent, 2 months ago. Participants' mean age was 44.4 years. Procedures were performed in patients without option of access in the upper limbs. The surgical technique consisted of anteriorization and superficialization of the great saphenous vein, in the posterior aspect of the thigh, anastomosed to the superficial femoral artery in the distal portion. SSFAVF were assessed according to the following variables: immediate, early and late results, intraoperative complications, postoperative complications (up to the 30th day), fistula efficacy after start of punctures (facility of punctures, hemodialysis flow, spontaneous venous pressure and dialysis adequacy according to K.T/V) and inherent complications (thrombosis, postpuncture hematoma, distal limb ischemia, cardiac decompensation, puncture pseudoaneurysm, anastomotic pseudoaneurysm, aneurysmal dilatation and infection). Data analysis methods were cumulative patency, using the Kaplan-Meier method, and simple percentage for other results.
RESULTS: All fistulas could be successfully concluded, but five were excluded from late follow-up because they were not used (deviation from study protocol). Fifty-one fistulas were used in 45 patients; six patients required two fistulas. The oldest fistula had been carried out 59 months ago, and the most recent, 3 months ago. Until May 2006, the 51 fistulas had the following course: eight fistulas remained patent (15.7%); 10 patients were transplanted (19.8%); 12 patients died (23.5%); one presented low flow (1.96%); and 20 had thrombosis (39.2%). As early complication, there was one case of severe hypotension in the intraoperative period, resulting in anastomosis thrombosis, followed by repair using Fogarty catheter, and four cases of reexploration on the first postoperative day due to venous thrombosis (two due to hematoma, one due to vein kinking and one due to saphenous vein rotation of 180º). All of these fistulas were repaired through vein thrombectomy, and anastomosis was performed again, maintaining secondary patency. Three puncture pseudoaneurysms and two stenoses due to myointimal hyperplasia were repaired using angioplasty without stent placement, maintaining assisted primary patency. There was only one death resulting from fistula complication, which occurred due to pseudoaneurysm rupture in a fistula carried out 40 months ago. In the analysis of cumulative patency using the Kaplan-Meier method, after a 59-month follow-up, probable patency was 44.04%, with standard deviation of 5.49%.
CONCLUSIONS: SSFAVF proved to be a good alternative for patients who do not have other access possibilities in the upper limbs, providing an efficient dialytic treatment, with good patency rate and low complication rate, except for thromboses.

Keywords

Arteriovenous fistula, hemodialysis, vascular accesses, saphenous vein, femoral artery.
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